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Como percebi que o Shorts tinha alterado meu cérebro sem eu notar

Ronald Araújo
Ronald Araújo
·2 min de leitura
Como percebi que o Shorts tinha alterado meu cérebro sem eu notar

🤯 Revelação para profissionais de tecnologia: como eu percebi que o Shorts tinha alterado meu cérebro sem eu notar.

Há algumas semanas publiquei aqui sobre ter saído do YouTube Shorts. Já não usava Instagram Reels nem TikTok, achei que tava tranquilo, que era só questão de hábito. Parecia simples assim: desinstala, resolve.

Os sinais que apareceram depois

Semanas depois, comecei a perceber coisas estranhas no meu próprio comportamento. Assistindo qualquer vídeo no YouTube "normal", minha mão ia automaticamente procurar o acelerador de velocidade. 1,5x. 1,75x. Como se o conteúdo em velocidade natural fosse lento demais pra merecer minha atenção.

Um mês depois, esbarrei num documentário sobre a Yakutia, uma região da Sibéria com inverno de -60°C. Narrado. Lento. Sem cortes a cada três segundos. Comecei a assistir esperando aquela inquietação de sempre…

Mas… ela não veio. E aí eu percebi o quanto tinha me afastado de mim mesmo.

A reabilitação silenciosa

Parei de usar o acelerador de velocidade naturalmente, sem forçar, sem perceber. O conteúdo em velocidade normal começou a parecer… normal de novo.

Consegui assistir vídeos longos narrados do início ao fim, o tipo de conteúdo que meses atrás eu abandonaria nos primeiros dois minutos.

Acelerar um vídeo bem produzido passou a parecer falta de respeito pelo trabalho de quem fez, uma sensação que eu tinha perdido completamente.

Redescobri o que é deixar um conteúdo entrar de verdade, processar, associar, pensar junto, não só consumir.

Pesquisei mais sobre isso e confirmei: não é só impressão minha. Pesquisadores de comportamento e atenção já documentam como formatos ultracurtos recalibram o limiar de tolerância ao tédio. Isso é mais comum do que parece, vi vários relatos de pessoas de tecnologia passando exatamente pelo mesmo processo de "desintoxicação lenta".

Lição para todos nós (especialmente devs, designers e PMs que vivem na tela)

Desinstalar não é o fim do processo. O formato curto deixa rastro no comportamento. Observe como você consome conteúdo longo nas semanas seguintes.

Teste conteúdo narrado, sem pressa. Um documentário, um podcast em áudio, um vídeo sem cortes. Se der vontade de acelerar, esse é o sinal.

Trate a velocidade 1x como padrão, não como punição. Se um conteúdo não vale seu tempo em velocidade normal, talvez não valha seu tempo.


Esse conteúdo foi originalmente publicado no LinkedIn.

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